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Economia brasileira está se reequilibrando e deve melhorar em 2017

Perspectiva é de economistas que participaram do debate “Discutindo Economia” promovido pelo CORECONPR anualmente para traçar um panorama de desempenho dos principais setores do mercado. 

A economia brasileira está se reequilibrando e ao que tudo indica os brasileiros, enfim, poderão voltar a observar um processo consistente de desinflação. Todavia um crescimento significativo está previsto apenas para o ano de 2018. A análise é dos economistas que participaram do debate “Discutindo Economia”, na noite desta quarta-feira (07), na Associação Comercial do Paraná, em Curitiba. O evento é realizado anualmente pelo CORECONPR para traçar um panorama de desempenho dos principais setores do mercado. Eles também apontaram alternativas para melhorar a vida das empresas e reduzir o nível de desemprego. 

O economista e conselheiro do CORECONPR, Lucas Dezordi observa que o grande ajuste macroeconômico da economia, no que diz respeito ao processo inflacionário, avançou bastante entre os anos de 2014 e 2015, em virtude do desiquilíbrio entre preços administrados e preços livres. “Os livres giraram em média 8% enquanto que os o administrados ficaram, de certa maneira, congelados, provocando um grande descompasso no mercado. Porém, agora, já houve uma convergência entre essa diferença de índices, o que gerou uma grande possibilidade de queda do processo de inflação”, esclarece.  

O país não vive mais com uma inflação em torno de 10% a 11% e sim na casa dos 6% ou 7%. “Já o câmbio não muda muito, devido ao momento de incertezas do Brasil e do mundo, girando em torno de R$ 4,00. Por outro lado, o próprio desemprego, em torno de 12%, muito alto para o nosso país, infelizmente, também joga a inflação mais para baixo”, explica Lucas Dezordi.    

Segundo o economista, para que o país se recupere de vez é preciso muito mais do que ajustes técnicos. “É necessário restabelecer o equilíbrio político e arranjar fatores institucionais consistentes que permitam boas perspectivas a longo prazo” diz ele, lembrando que estas caíram, gradativamente, nos últimos 4 anos. “Quando um país melhora as expectativas oportuniza também maior capacidade de tirar da gaveta e pôr em prática projetos a longo prazo, que são fundamentais para melhorar grandes indicadores, como produtividade, poupança, investimento e emprego.  

Emprego – De acordo com o economista Sandro Silva do DIEESE-PR ainda não é possível saber se haverá redução do desemprego em 2017. “Isso vai depender de questões político-econômicas, e mesmo que as empresas comecem a se recuperar elas não voltarão a contratar com muita rapidez. Ele também ressaltou que houve aumento significativo da informalidade no mercado de trabalho e diminuição da renda. O desemprego teve forte alta em 2015 e disparou em 2016, chegando a uma taxa de quase 12%, de acordo com o IBGE.   

Indústria 4.0 – O economista Roberto Zurcher, da Federação das Indústrias do Estado do Paraná (FIEP) lembrou que esse é o setor da economia que mais teve queda no país nos últimos tempos e que enquanto o mundo cresce acima de 3% ao ano o Brasil desacelera. “Nossos problemas são domésticos, em função de modelos ultrapassados que geram excesso de burocracia e tecnocracia, com benefícios somente a favor de interesses do setor público. É preciso deixar de usar modelos baseados em Superestruturas Hierárquicas, que não funcionam mais.” 

Ainda de acordo com ele há uma nova tendência mundial chamada de “Indústria 4.0” e seu impacto será maior do que todas as revoluções industriais anteriores juntas, proporcionando um aumento significativo na economia doméstica dos países que estejam preparados para esse novo cenário. “Porém, o Governo Brasileiro ainda não aderiu a esse novo modelo. É preciso ser criativo para sair da crise e produtivo para sair da pobreza”, observa. 

Cooperativismo e Agronegócio

Mesmo com a economia em dificuldade o setor do cooperativismo no Paraná tem números bem positivos. A projeção de crescimento é de 14,4% ao ano, e o segmento deve fechar 2016 com um faturamento de R$ 69 bilhões. Aqui também não há espaço para o desemprego, o Sistema tem hoje 1,3 milhão de cooperados, gera mais de 2,6 milhões de postos de trabalho e alcança 3 milhões de pessoas – associados, colaboradores e familiares. Segundo o economista do SESCOOP/OCEPAR, Emerson Barcik, entre 2019 e 2020, o Sistema deve faturar R$ 100 bilhões/ano.  

Atualmente são 220 cooperativas, com destaque para o setores de Agropecuária, Saúde e Crédito. Barcik lembrou que 56% da produção agropecuária do estado passa pelas cooperativas paranaenses.  

Expectativa Safra – A expectativa de produção mundial de Soja, Milho e Trigo também é positiva, com mais de 2 bilhões de toneladas na Safra 2016/2017. NA safra anterior o país colheu 186,4 milhões de toneladas. Há uma projeção de ampliação de 18% na área de plantio do Milho no Paraná e produção 30% maior em relação à safra anterior.  

Comércio

De acordo com os economistas Claudio Shimoyama da Associação Comercial do Paraná e Vamberto Santana da Fecomércio, este é o setor que continua a ter mais capacidade para se  amoldar às mudanças da economia e, portanto, continuar a crescer. Um exemplo são as datas comemorativas como Black Friday e Halloween que vêm fazendo sucesso no país e também o crescimento do e-commerce, ações que têm estimulado o consumidor a comprar.  

Por outro lado, o cliente também está mais exigente, uma vez que em tempos difíceis valoriza mais o dinheiro que tem no bolso. Quer um bom atendimento, preço baixo e qualidade. Segundo eles, neste caso, além de oferecer também novidades e buscar mais estratégias é necessário estudar melhor o mercado e a economia.  “Temos que produzir aquilo que se vende e não vender aquilo que se produz”, diz Claudio Shimoyama (ACP). “E o desafio não é atrair, mas sim manter os clientes.”  

Para Vamberto há necessidade das cidades buscarem outras alternativas, como atrações locais, por exemplo, para atrair pessoas de outros centros para consumir. “Se bem exploradas elas podem ajudar o comércio a vender”. Ele lembrou que 18 shoppings devem ser lançados nos próximos meses no Paraná, sendo 14 deles no interior do Estado. Também ressaltou que o Brasil precisa investir mais em outlets.  

Inadimplência – Entre os dados apresentados por Claudio Shimoyama durante o debate chama a atenção o aumento da inadimplência gerada por pessoas acima de 60 anos. Segundo ele, entre os fatores que contribuem para esse quadro estão o baixo valor da aposentadoria, gasto com medicamentos e a tomada de crédito consignado e apoio financeiro a familiares. Por outro lado houve diminuição da inadimplência entre jovens de 17 e 19 anos, devido à redução de pessoas empregadas nessa faixa etária.  

Outros números – Em 2017, o PIB deve crescer 0,80%, uma boa notícia tendo em vista que em 2015 houve queda de 3,8% em relação a 2014, a maior desde o início da série histórica atual, sem ajuste sazonal, iniciada em 1996. Neste ano, a queda deve ficar em torno de 3,5%. 

A expectativa é de que o IPCA, que ultrapassou 10% em 2016, gire em torno de 5% em 2017. E a taxa Selic baixe de 13,75% para 10,50% até o fim do próximo ano. O saldo da Balança Comercial foi de R$ 19,7 bilhões em 2015, subiu para R$ 47 bi em 2016 e deve cair para 44,6 bi em 2017, de acordo com o Boletim Focus do IBGE. Para a produção industrial que caiu 7,6% em 2015, e deve fechar em queda de 6,5% neste ano, há projeção de aumente de 1,05%.  

Déficit Público – É consenso entre os economistas que a redução do Déficit Público continua a ser um dos maiores desafios do Brasil, uma vez que torna a dívida pública insustentável e contamina de forma negativa todos os setores da economia.  

Texto: Sandra Santos 

Informações para imprensa: Ines Dumas 41 99101-0830

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