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Economistas apontam crescimento tímido do País em 2014

ebateDescolado do Brasil, o Paraná deve crescer acima da média nacional nos principais segmentos da economia.

A falta de um planejamento político-econômico é o maior empecilho para o crescimento e desenvolvimento do Brasil. A constatação é unânime entre os representantes dos principais setores da economia paranaense, que se reuniram na última terça-feira (26) no Conselho Regional de Economia do Paraná (CORECONPR), para debater as perspectivas do Brasil e do Estado para 2014.

Ao analisar o panorama econômico nacional, o economista Gilmar Mendes Lourenço, presidente do Instituto Paranaense de Desenvolvimento Econômico e Social (Ipardes), foi enfático: “Apesar da Copa do Mundo e das eleições, não virão dias melhores em 2014. A projeção é de um cenário com ausência de crescimento. Talvez o meu desejo fosse manifestar a vocês um feliz 2015”.

Para ele, há muito o Governo negligenciou o tripé: câmbio flutuante, superávit primário e queda da inflação, que era o alicerce da estabilidade macroeconômica, mas não colocou outro plano no lugar. O resultado aparece no aumento dos buracos das contas públicas, na inflação e no déficit das contas externas, que é de U$ 82,2 bilhões, o maior da história. O valor representa 3,7% do Produto Interno Bruto (PIB).

Os números

Lourenço afirmou que a taxa de inflação irá furar o teto de 6% até o fim de 2013. A informação contraria o recente anúncio do ministro da Economia, Guido Mantega, de que a inflação fecharia o ano no máximo em 5,8%. A taxa fica muito próxima ao teto da meta fixada pelo Conselho Monetário Internacional, que é de 6,5%, e longe do centro da meta, 4,5% ao ano. “Vamos amargar um crescimento de 2,5% neste ano”, disse.

Ele destacou que o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) fecha o ano em 5,8% e, em 2014, sobe para 5,9%. Ainda de acordo com o economista, o Banco Central projeta crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) em 2,2% para o próximo ano. Patamar abaixo do crescimento de 2013 em comparação com 2012, que foi de 2,5%.

O câmbio deve fechar em R$ 2,29 e, no final do ano que vem, em R$ 2,39. A taxa Selic tabelada fica em 10% e fecha em 10,4% em 2014. “Precisa ser alta a fim de captar recursos e tapar o enorme buraco das contas internas e externas, e rolar a dívida do Brasil que é de mais de U$ 1,5 trilhão.”

Tapa-buraco

Para o presidente do CORECONPR, Carlos Alberto Gandolfo, o Brasil trabalha neste momento na “área praia”, só tapando buraco. “Busca-se apenas uma solução imediatista para o problema, mas não a sua causa e resolução”, afirmou. Ele alertou que é urgente a definição e aprovação de um verdadeiro programa político-econômico. “Sem isso não há como o industrial, o empresário, fazer um planejamento, nem a curto, muito menos a longo prazo.”

Paraná

As perspectivas para o estado do Paraná são melhores. De uma forma geral, a economia deve continuar crescendo, estimulada principalmente pelo Agronegócio. Para o setor de empregos as expectativas também são boas. Isso é possível, segundo o presidente do Ipardes, porque, “para o bem ou para o mal”, neste momento a economia paranaense está descolada da nacional.

O Paraná teve que buscar uma alternativa frente à redução da sua representatividade no Governo Federal, que, além de diminuir empréstimos ao Estado, afetou a economia com uma perversa desoneração do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) na conta de energia. “O caminho encontrado foi um fino estreitamento entre a iniciativa privada e o poder público”, disse Lourenço.

Atualmente, o Paraná cresce, nos principais setores, acima da média nacional. Entre janeiro e setembro deste ano, o Produto Interno Bruto (PIB) do Estado cresceu 4,3% enquanto o do Brasil foi de 2,4%. A previsão é de que esse índice chegue a 4,6% ainda em 2013 e a 5% em 2014, alcançando a média histórica de 2011. Já a média nacional deve ficar em 2,5%.

Um dos fatores que mais impulsionou esse crescimento foi o efeito safra agrícola, que teve aumento de 17,7% no Paraná (no Brasil 15,5%), seguido pela boa conjuntura de preços no mercado internacional e a valorização das commodities, quase 30% acima do seu valor no Paraná, com efeito positivo sobre a renda.

Também entre janeiro e outubro deste ano, o Comércio cresceu 6,8% no Paraná e 3,6% no Brasil, comparado ao mesmo período do ano passado.

Emprego

De janeiro até outubro, o Paraná foi o terceiro maior empregador do país, perdendo apenas para São Paulo e Minas Gerais, com uma taxa de desemprego de 3,7%, a menor do Brasil. A média nacional é de 5,6%. O Estado também oferece o maior salário mínimo regional. Mesmo assim, a taxa de empregos formais neste período aumentou apenas 0,59%, mas, a expectativa é de crescimento.

Entretanto, segundo dados do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), no país todo, incluindo o Paraná, 55% dos trabalhadores ganham no máximo dois salários mínimos, média considerada baixa. O Estado tem a maior média de dois salários mínimos (R$ 2.062,00) no país.

O economista do Dieese, Fabiano Camargo, também frisou que mulheres ganham 20% menos do que os homens; e os negros, 30% menos que os brancos. Outro dado negativo diz respeito à segurança no trabalho. “O índice é preocupante, uma morte a cada 3 horas e meia”, destacou. Segundo ele, a terceirização dos serviços está entre os fatores que mais contribuem para a precariedade do trabalho, com alta carga horária e baixos salários.

Indústria

Se a maior procura pelo crédito pessoal estimulou as vendas e o crescimento no comércio, o mesmo não ocorreu com a indústria. O economista Maurilio Schmitt, coordenador do Departamento Econômico da Federação das Indústrias do Estado do Paraná (Fiep), disse que o descompasso entre o crédito pessoal e o crédito oferecido à produção industrial acabou prejudicando o setor.

Além disso, ele reforçou que o incentivo do Governo nos últimos anos tem sido para importação e não exportação. Dentro desse cenário, soma-se a alta carga tributária, que continua sendo uma das principais vilãs da competitividade industrial. Nessa conjuntura, o crescimento no setor é tímido, mas no Paraná está acima da média nacional.

“Estamos num namoro com a reindexação, mais de 80% dos preços dos produtos têm esse resquício. O mercado está nebuloso. Estamos crescendo e não nos desenvolvendo”, ressaltou Maurílio, ainda incerto diante da expectativa de a indústria paranaense crescer 1,7% em relação a 2012, até o fim deste ano.

Segundo o economista, o salário mínimo regional acima da média nacional e o regime de redução do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) também afetaram o desempenho da indústria no estado. A Fiep prevê crescimento de 2,4% do setor em 2014 na comparação com 2013. Todavia esse aumento está previsto numa base de comparação bastante deprimida.

Em linhas gerais, a Indústria representa 17% do PIB Nacional, mas a de transformação, que agrega valor, responde por apenas 13%.

Agronegócio

O Agronegócio é o setor que mais cresceu no Paraná. Representa 22% do PIB no Brasil e 73% de tudo o que é exportado no Estado. O carro-chefe é a soja, seguida pela carne e produção sucroalcooleira (açúcar e álcool), visto que o milho teve uma forte queda. Os maiores problemas do setor estão na produção de café e trigo.

Segundo o economista Pedro Augusto Loyola, coordenador do Departamento Técnico da Federação da Agricultura do Paraná (Faep), o salário mínimo regional maior do que o nacional levou o pequeno produtor familiar a achar mais interessante prestar serviço em outras fazendas. “A mulher vai para a cidade e o filho cuida do pouco que resta”, salientou. “Estamos vendo um cenário que não imaginávamos.”

Já no plantio e colheita do trigo, o principal empecilho foi a questão climática. Por isso, 60% do produto está sendo importado. Este também é o item que mais pesa na balança comercial. Segundo o economista, a situação poderia ter sido atenuada caso existisse interesse do Governo Federal em incentivar o segmento, principalmente com a realização de pesquisas. Ele destacou que há locais apropriados para o plantio do trigo, e a produção poderia ser ampliada no Paraná e no Rio Grande do Sul.

O milho, que costuma ser um dos carros-chefes do setor, logo após a soja, teve forte queda no preço devido à grande oferta mundial. O preço de venda equivale, atualmente, ao valor da produção do grão.

Para finalizar, Pedro Loyola relembrou um problema antigo vivido pelo setor: a dificuldade para escoar a safra. “Embora o porto [de Paranaguá] tenha melhorado, vivemos num sistema inadequado e temos um déficit de 10 milhões de toneladas. O programa do Governo Federal de incentivo aos armazéns foi implementado, no entanto, os pedidos dos produtores ainda não foram aprovados devido a uma questão de licenciamento ambiental”, lamentou.

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